Quando eu crescer, eu quero ter um blog sexualmente ativo.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Só se na minha espingarda não tivesse nenhuma bala.

Algumas pessoas num dado momento da nossa infância exercem um certa influência naquilo que seremos para o resto da vida. 
E olha; 0% brinks, a partir do instante que a gente incorpora um costume, um princípio, uma filosofia, ou um tique nervoso, dificilmente se desapega depois.

Não é que a pessoa vai tomar alguém como referência e necessariamente se transformar nela no futuro. É uma coisinha aqui outra acolá de um avô, um vizinho mais velho, um professor e etc, que marcam e viajam com a gente para todo o sempre.

Eu tenho um leque enorme de influências perigosas, mas também tive influências admiráveis. 
Hoje, o troféu vai para um tio, que dentre outras demonstrações de firmeza, cultivava um jeito prático de resolver situações de conflito que exigissem uma dose de força. E sem ter que fazer o menor uso dela.

Era um método simples e nunca, nunca mesmo, falhava. Quando alguém batia na sua porta demonstrando a intenção de tirar seu sossego, ele dizia a seguinte frase;

"-Só se na minha espingarda não tivesse nenhuma bala!"

E a pessoa ía embora super conformada e convencida de que a opinião dele não iria mudar mesmo.
Aquilo economizava um tempo danado, e ainda por cima poupava todo mundo do desgaste que é uma discussão inócua. E quer, saber? Ele estava coberto de razão.

Porque se um vizinho ía lá dizer que o filho de alguém queria colocar uma barraquinha de vender cigarro na calçada dele porque estava desempregado, mas que se fosse vender bebida metade dos moradores não iria concordar e coisa e tal... Que a comunidade precisava se reunir para discutir as possibilidades e condições; ao invés de bater boca com meio mundo, ele simplesmente encerrava tudo respondendo; 

"-Só se na minha espingarda não tivesse nenhuma bala!"

E o assunto se dava por encerrado. Afinal de quem era a calçada?
Pouco importava.
Outra vez, nunca esqueço, o filho de um cantor famoso, figura folclórica bem conhecida pelas bandas dos quatro cantos de Olinda, cismou de namorar a filha dele, minha prima.
Ao que prontamente perguntei; 

- Já pensou? O senhor levando sua filha ao altar, e sua esposa (minha tia) entrando de braços dados na igreja com Alceu Valença todo vestido de bicho maluco beleza?

Ninguém nem imagina o que ele respondeu.


Filosofia de vida. Vou levar pra sempre.

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